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Mostra parisiense reúne vestimentas desde o século...

Mostra parisiense reúne vestimentas desde o século XVIII

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Quem veste o quê? Essa é a pergunta que norteia a exposição Anatomia de uma Coleção que reúne vestimentas de celebridades e anônimos desde o século XVIII até os dias atuais.

Extraída do imenso acervo do museu, a exposição exibe alguns objetos de trabalho que encantam pela autenticidade, como cadernos escritos à mão com desenhos de detalhes e croquis de coleções de Christian Dior e Jeanne Lanvin.

Cadernos que serviram para registrar medidas de clientes de alta-costura também estão expostos. Ainda entre os itens, duas ferramentas curiosas: uma máquina de fabricar moldes de cabeça em papel usada na fabricação de chapéus sob medida e uma espécie de forma de corset feita em ferro com fita métrica acoplada. O corset em ferro era usado como molde de medição para a fabricação dos corsets sob medida feitos com osso de baleia pela casa Lavigne.

Ainda sobre fabricação sob medida, consta um corset feito em seda que pertenceu à Maria Antonieta. A peça fazia parte do caderno de pedidos da rainha em uma casa de fitas e decorações e servia como modelo para inspirações a serem propostas à sua majestade, as marcas de alfinete são provas visíveis de que a peça foi utilizada para inúmeros testes.

Dois conjuntos do jovem príncipe Luís XVII, filho de Maria Antonieta e Luís XVI fazem parte da mostra. O primeiro conjunto em seda rosa, encomendado pela mãe, traz a calça com corte mais confortável e abotoamento frontal como aquelas usadas pelo povo. Maria Antonieta queria que o filho tivesse mais conforto alterou o modelo em vigência na época como era o seu habitual. O segundo conjunto já é do período em que a família estava presa no Palácio des Tuilleries e por isso foi feito em algodão. O governo vigente exigiu que as roupas das crianças reais fossem elaboradas nos mesmos tecidos que aquelas da população em geral. O príncipe Luis XVII morreu aos dez anos de idade na prisão du Temple onde ficou preso junto com sua família em celas separadas. O conjunto em algodão caramelo foi realizado dois anos antes de sua morte e por ele podemos observar que se tratava de um menino alto e magro. À título de curiosidade o rei Luis XVI, seu pai, media 1,96m de altura.

 

Passamos para a corte de Napoleão I onde o luxo foi tão exacerbado que ele se coroou Imperador! Do soberano vimos um casaco de cerimônias em veludo preto bordado com galões de seda da mesma cor, que era usado nas cerimônias do clube de intelectuais fundado por ele com o nome Clube do Egito. Um vestido em algodão branco bordado em branco com motivos florais e folhas da imperatriz Josefina é destaque e traz a curiosa informação que sua alteza trocava o guarda-roupa duas vezes ao ano e na ocasião aproveitava para passar os vestidos que não queria mais para suas damas de companhia. Foi assim que o vestido recebido do descarte foi guardado por gerações até ser doado ao museu. O hábito de passar pra frente não fica por aí não… mais adiante na exposição um manto vermelho todo bordado em fios de seda e mini- pailletes, presente do Rei do Egito para a Imperatriz Marie Louise, segunda mulher de Napoleão, chegou ao acervo do museu pelas mãos dos herdeiros de uma das damas que acompanhavam a imperatriz e para quem ela repassava o que não queria mais.

Na exposição, um casaco de veludo nos faz entender mais sobre a posição de cada um na corte Napoleônica. Conta-se que a corte era formada por muitos homens e por isso eles se faziam reconhecer pela cor que vestiam e a ornamentação do costume. O casaco no caso, pertenceu a um dos mais baixos cargos, um simples encarregado, e para reconhecer sua posição recorre-se ao detalhe da tira em passamanaria ser em um único tamanho e estar aplicada de forma retilínea, demonstrando se tratar de algo simples.

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As roupas dos trabalhadores do século XVIII e XIX exibem a realidade da necessidade do movimento expresso nas modelagens largas e também se vê a dificuldade financeira presente na escolha de tecidos em algodão ou lã com acabamento mais grosseiro.

No século XX o algodão tingido de azul é o testemunho do trabalho rural.
Os aventais aparecem como peça de vestuário usado nas atividades de trabalho e na sequência se firmam como vestimenta para homens e mulheres ligados a afazeres na cozinha.

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É no final do século XIX que vemos a moda se personalizar com a alta-costura e ao mesmo tempo surgem mulheres personagens de um estilo próprio, testemunhas de marcas e fiéis clientes de certos estilistas. Uma sala da exposição é dedicada às atrizes, escritoras e cantoras que em suas performances divulgaram criações e criadores de moda como Sarah Behrnard, Mistinguet, Georges Sand, Catherine Deuneuve, Audrey Hepburn, etc…

Jacques Doucet e seu discípulo Paul Poiret, cada um a seu tempo, são referências fortes desse período do nascimento da alta-costura francesa. Muitos são os itens e criações desses dois artistas da moda e cada vestido traz a história de quem o portou, quando e para que.

No início do século XX, foi Paul Poiret quem sentenciou: “ Existe roupa para o dia e roupa para a noite.”

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Alix , a estilista que depois se tornaria Madame Grés, aparece com seu talento na arte do drapeado em dois vestidos pretos sendo um em veludo e outro em seda.

Christian Dior, o fundador da Maison Dior, e suas criações que exaltam a feminilidade dos anos 50 marcam presença com vestidos de coquetel e de noiva. A cintura marcada e a saia rodada são os pontos em evidência na arte do mestre.

Yves Saint-Laurent emociona com um vestido floral em homenagem a Matisse.

Um vestido de alta-costura assinado por Balenciaga transgride o código de sua época com cor e bordados que não passam despercebidos.

Ao ler a história de cada cliente e ver a roupa que cada estilista criou é como se um filme passasse no imaginário criativo. Em silêncio as pessoas, assim como eu leem as fichas informativas.

Os anos 60 e 70 quase não são explorados. Já as experiências exóticas dos anos 80 recebem seus irreverentes criadores como Jean- Charles- de- Castelbajac, Jean-Paul- Gaultier e Issey Miyake entre uma dezena. Como os 80 eram sobre uma provocação criativa, a atenção vai para o estilista.

Por fim os anos 90 e início do século XXI. A atração se volta para a passarela e a moda que se veste é amplamente inspirada nos desfiles “divulgação”. Na última sala esse novo século é retratado de forma conceitual com Rei Kawakubo, Dries Van Noten, Raf Simons e, Haider Ackerman entre outros.

As cinco salas da exposição parecem um percurso rápido entretanto ao entrar em contato com o conteúdo meticulosamente reunido pelo curador Olivier Saillard o tempo parece ficar em segundo plano.

// Anatomie D’Une Collection
14 maio 2016 – 8 janeiro 2017
Avenue Pierre I de Serbie,, 10
Paris
www.palaisgalliera.paris.fr

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