CORTEO NO BRASIL

6 AGO 13

POR BRUNO SANTOS IMAGENS REPRODUÇÃO e DIVULGAÇÃO

As expectativas para a sessão especial do Cirque du Soleil em Brasília foram saciadas na noite de quinta-feira 1.° de agosto, quando a maior companhia circense do mundo se apresentou para imprensa, crianças carentes e convidados de seus patrocinadores.

As duas peças de cortina (17,6 m de largura e quase 12 m de altura) têm estilo barroco. A principal inspiração veio de uma pintura de 1885 do artista francês Adolphe Willette

Situada ao lado do Estádio Mané Garricha, a enorme tenda montada no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson impressiona -- para dizer o mínimo – e foi concebida para celebrar a arte do circo em questões de espaço físico e projeção, assim como garantir conforto em suas 2.771 acomodações.

Em 2012, o Cirque trouxe “Varekai” ao Brasil e este ano é a vez de "Corteo", espetáculo criado pelo ítalo-suíço Daniele Finzi Pasca que narra, em 19 números, a trajetória de vida e morte do palhaço Mauro.

Patrick Flynn na apresentação especial de Corteo, em Brasília

Tivemos acesso ao company manager Patrick Flynn que compartilhou seu conhecimento sobre o espetáculo e o Cirque du Soleil, o que nos faz apreciar ainda mais o valor da produção para o espetáculo circense.

"O figurino para Corteo teve que ser muito diferente do que queríamos. Dentro do espetáculo retratamos a Itália no final dos anos 1800 e as roupas daquela época não puderam ser fielmente reproduzidas, por exemplo. Por razão dos materiais daquela época não existem mais, e não poderíamos usar lycra ou nylon, que são artificiais [tecnológicos]”, disse Patrick, que complementa: “Você pode imaginar o desafio que foi para desenhar esses figurinos. Dispensar a elasticidade da lycra pela fragilidade da seda é um grande salto”.

Araras de Corteo. Imagem da página do espetáculo

A manutenção dos figurinos, como deduzível, é dificultosa. Flynn disse que o vestuário muda constantemente, que existem peças que duram apenas três meses e precisam ser trocadas, assim como outras conseguem ter longevidade de um ano. Tudo fica sob os cuidados de uma equipe fixa de quatro pessoas e mais quatro locais, no caso, de Brasília. São 4 mil peças entre sapatos, roupas e adereços em geral. Toda essa minuciosidade vale a pena e justifica a importância do figurino para se contar uma boa história: “É um trabalho que amamos porque queremos a perfeição no detalhe, vendo isso refletido no olhar do público -- para nunca romper a magia da ilusão. O figurino precisa estar ao nível do espetáculo e por isso não nos importamos de ter um pouco mais de trabalho”.

The Guardian Angel, Pietro Da Cortona (movimento Barroco)

A designer de figurino Dominique Lemieux assina a indumentária de “Corteo”, assim como a de todas as produções do Cirque du Soleil entre os anos de1989 e 1998 -- We Reinvent the Circus (1989), Nouvelle Expérience (1990), Saltimbanco (1992), Mystère (1993), Alegría (1994), Quidam (1996), "O" e La Nouba (1998).

Duas coisas ditaram o visual e sensorial do figurino de “Corteo”. A primeira é a inspiração no período europeu entre 1890 e 1930 e no movimento Barroco. E a segunda, a escala intimista do palco onde os artistas ficam próximos ao público, que também muito tem a ver com o período da Belle Époque, promovendo arte, música, dança e moda.

Norman Parkinson

Man on a Balcony by Gustave Caillebotte (Belle Epoque)

Contraste entre o grande e o pequeno, força e fragilidade informam a 'vibe' das roupas em palco para retratar as memórias de vida de um palhaço. O palco com visão 360 graus permite ao espectador reagir às emoções da plateia a sua frente, como no circo tradicional.

Em “Corteo” (cortejo, em italiano), os artistas também não se escondem atrás de maquiagens super elaboradas e permite ao público enxergar suas expressões em meio a composições ao estilo Federico Felinni cercadas por anjos.

Desenho de figurino de Columbina para Anna Pavlova em Harlequinade, 1909 - Konstantin Somov

David Bowie

A simplicidade dos figurinos, iluminação e elementos cênicos é mesmo algo único em “Corteo”, diferenciando-se dos demais espetáculos nos quase 30 anos de história da trupe.

Twiggy em 'The Boyfriend', Ken Russell

Segundo Dominique Lemieux: "Estamos mais próximos do circo tradicional, no qual a humanidade dos artistas é desnudada. Isso se traduz em trajes que lembram as roupas comuns da rua". Para dar mais veracidade, técnicas de envelhecimento dão aspecto ‘usado’ às roupas feitas em materiais como seda, linho e algodão, adornadas com rendas, lantejoulas e pedraria.

Irina Ionesco

Cerca de 900 materiais foram usados na criação dos mais de 200 figurinos. Guardados como figurino-reserva, somam-se mais de 450 peças de roupa, que são substituídas rotativamente por onde passa o espetáculo.

Women of Paris: The Circus Lover, James Tissot, 1885

Referências de moda como a cigana de Yves Saint Laurent, o celebrar da energia boêmia, a etnia do estilista ítalo-americano Giorgio Di Sant’Angelo, o imaginário do el matador espanhol e a dança flamenca passearam por minha mente, apenas para citar alguns dos 'fashion moments' que ganham vida no palco de “Corteo”.

Giorgio Di Sant’Angelo

Yves Saint Laurent,Ungaro

Valentino

Os performers do número Paradise, o primeiro do segundo ato, usam figurino em georgette de seda, crepe de chine e cetim.

O Palhaço Branco, personagem que abre a porta da magia do circo para Mauro, tem pregas que dão volume nos quadris e ombros do figurino.

The Boyfriend, Ken Russell, 1971

Pierrot Jyjou

Corteo

Dias: 02/08/2013 a 08/07/2013

Horário: Terças a sextas, às 21h. Aos sábados e domingos tem duas sessões, às 17h e 21h e às 16h e 20h, respectivamente.

Endereço: Área externa do Ginásio Nilson Nelson

Ingressos pelo site http://premier.ticketsforfun.com.br/

Telefone: 4003-5588