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AKIHITO HIRA

By 23 de setembro de 2013 No Comments

“Surpreendente”, essa é a palavra que define a primeira coleção feminina Akihito Hira. Apesar de a descrição ter sido dada pelos diretores criativos da marca — Akihito Hira e Júlio Andrade — minutos depois de sua apresentação, quem assistiu ao show de encerramento da Capital Fashion Week de Verão 14 certamente compartilha da mesma opinião. Afinal de contas, esse caminhar para o guarda-roupa feminino surgiu da cobrança de mulheres que reconheciam a qualidade das peças AH. “É uma cria, uma extensão do nosso trabalho no masculino”, pontua o designer que dá nome a marca.

O desfile mais aguardado do evento foi, peculiarmente, o mais concentrado – sentia-se na atmosfera. Talvez porque o público que encheu a sala de desfile do CCBB Brasília seja do tipo que reverencia a roupa de atelier e as decisões totalmente pessoais que são independentes de tendência, de cobranças com uma tribo estética da cultura popular. Existe uma qualidade diferente aqui.

E ficou difícil não pensar nesse tipo de pessoa ao ver as criações femininas da Akihito Hira. A principal inspiração veio das pinturas de Marianne North, no fim do século XIX, para retratar a brasilidade e a fauna e flora de nosso país. Daí também a razão da modelagem orgânica, da mistura de materiais na mesma peça [como em uma tela], texturas [a técnica ‘espatulada’ de North] e as estampas com motivos tropicais-botânicos.

As roupas foram construídas em tecido 100% algodão, seda e materiais que lembram linho e até juta. Tudo em uma paleta de cores que inicia no off white e cresce para o laranja, azuis e verde (estampa). Sapatos e bolsas do desfile são uma parceria com a marca Arezzo.

O desafio de criar para um corpo sinuoso também interferiu na trilha sonora Akihito Hira que sempre emociona, assim como sua roupa. Os sons de toques de datilografia da trilha faziam referência à pintora inglesa que se aventurava na escrita, mantendo sua personalidade destemida. “Ela não levava a natureza para dentro de casa. Solitária, trilhava seu caminho mata adentro para retratar a natureza viva”, explica Júlio Andrade sobre a personalidade de Marianne. Akihito e Júlio quiseram causar uma sensação de desconforto no início do desfile, para exaltar o desabrochar dramático de uma nova fase. As faixas são: “Dario Marianelli – Briony” e “Ben Cocks – Your Firefly”.

Assinada por Wanderley Estrella, do Orange beauty studio, a beleza valoriza o aspecto natural. As referências do masculino estavam lá. O cabelo, por exemplo, vinha batidinho e sem a fluidez de madeixas femininas.

Pergunto aos designers se em um futuro próximo gostariam de criar uma roupa unissex, sem etiqueta/divisão do masculino e feminino. Eles respondem com a explicação do valor por trás da marca Akihito Hira: “Nós já fazemos um pouco isso… De quebrar tabus de gênero e orientação sexual. Já brincamos com isso no masculino, pois acreditamos que nossa roupa é para quem realmente pensa, gosta e acredita em moda. Esse é nosso público”.

Na lista de méritos da apresentação está o que vi no backstage. Lá as peças recebiam o toque final no corpo das modelos, artesanalmente – como pede o cuidado da alta alfaiataria. E assim distingue-se a marca brasiliense Akihito Hira, que cresce em um nicho de admiradores que certamente irá se multiplicar.

Akihito Hira
Lab.Showroom Akihito Hira. SHIN CA 02 CJ V lt 27 Loja 03.

 

IMAGENS CRISTIANO SÉRGIO/FOTOFORUM

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Bruno Santos

Bruno Santos

co-fundador da BLOGAZINE, gosta mais de mostarda do que de ketchup. Acredita que internet deveria ser igual ao sol: disponível para todos se beneficiarem

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