COLAGEM CATALÃ

Eulàlia Grau - 03  - Eul  lia Grau 03 - COLAGEM CATALÃ
“Rich and famous”, Eulalia Grau (1972)

A vida às vezes imita a arte, e a arte às vezes imita a vida, mas o melhor dos dois mundos acontece quando uma consegue dar mais significado a outra. Quando, por exemplo, a arte faz seus expectadores enxergarem mais claramente sua(s) realidade(s).

Experimentou essa sensação quem passou por uma das várias salas de exposição do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona – no primeiro semestre deste ano, e teve a feliz surpresa de se deparar com o trabalho de Eulàlia Grau. A artista catalã nascida em 1946 – viva até hoje e em plena produção – conseguiu impressionar mais do que os jovens fotógrafos, artistas plásticos e performers cujos trabalhos figuravam nos espaços vizinhos.

Eulàlia Grau - 01  - Eul  lia Grau 01 - COLAGEM CATALÃ

Os recortes que tiveram como material bruto cenas reais, tiradas de noticiários, e algumas fictícias, de publicidades e fotografias manipuladas, fizeram parte da coleção da artista. Foi na colagem que Eulàlia encontrou os meios para expor suas críticas sociais e seu feminismo.

NUNCA HE PINTADO ÁNGELES DORADOS

Eulàlia Grau - 06  - Eul  lia Grau 06 - COLAGEM CATALÃ

A mostra Nunca Pintei Anjos Dourados foi um apanhado de obras de Eulália sem ordem cronológica, seguindo apenas uma lógica de assuntos que a interessavam, tais como mecanismos de controle social, política e, com destaque, as questões de gênero.

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Eulàlia Grau, “Nixon” (Etnografia), 1973

Usando o bom humor, Eulália expõe o papel – tantas vezes ridículo – em que mulheres eram (e ainda são) retratadas nas mídias, entre elas televisão e publicações impressas como jornais, revistas e folhetos. Mulheres inclinadas (literalmente, em alguns casos) à submissão social.

Eulàlia Grau - 02  - Eul  lia Grau 02 - COLAGEM CATALÃ

Eulàlia Grau, Núvia i rentaplats (Etnografia), 1973

Em “The Bride and the Dishwasher”/“A noiva e o lava-louças” (1973), uma das colagens mais emblemáticas da exposição, a figura de uma noiva cuja cabeça não aparece, vestida como se caminhasse até o altar, com buquê de flores nas mãos, se justapõe à imagem de uma pia, cheia louças para secar. Expectativa e realidade; o luxo e a cozinha; o azul bebê e o preto&branco. Em outra montagem, a imagem de três misses, perfeitamente posicionadas e vestidas se encontra com a foto de três homens procurados pela polícia.

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“Misses y gángsters”, 1973

O tom irônico marca a maior parte dos trabalhos de Eulália que fizeram parte da mostra, datados da década de 1970 e início dos anos 80. E todos eles poderiam facilmente ser usados em campanhas publicitárias de hoje e – por que não – em ações que têm como alvo uma imprensa cheia de parcialidades e interesses nada nobres.

SAFÁRI FOTOGRÁFICO

Eulàlia Grau - 10  - Eul  lia Grau 10 - COLAGEM CATALÃ

Artista Eulàlia Grau na MACBA, 2013

O fato é que Eulàlia não poupou nada e nem ninguém. Dos espartilhos à Nixon (presidente), ela usou. “Brincou” com essas figuras e buscou ângulos que pudessem ao mesmo tempo unir e distanciar os elementos usados nas obras que ela chamava de pinturas. Houve também quem chamasse o trabalho da artista de “safári fotográfico”, como definiu a também artista Maria Aurèlia Capmany.

Eulàlia Grau - 14  - Eul  lia Grau 14 - COLAGEM CATALÃ

Eulàlia Grau, Caps, calces i mitjons (Etnografia), 1973. Foto: Tony Coll

Da Catalunha já saíram grandes nomes das artes plásticas, entre eles Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Gaudí, artistas responsáveis por obras que ainda são símbolos em toda a região, especialmente em Barcelona. Eulàlia continua a produzir, e, entre os contemporâneos, nada mais justo que seu nome seja lembrado.

DE VOLTA À ESCOLA

– Não há criança que não tenha chegado em casa com a tarefa de fazer uma colagem. Ou quem, na escola, já não teve que fazer um “trabalhinho” com revistas, jornais, tesoura, cola e outros materiais. Colagem é definida como uma técnica que usa materiais diversos – ou imagens de origens diferentes – para produzir uma obra. Texturas, cores, fotos sobrepostas, encaixadas ou colocadas ao lado de outras vão formando a composição. O cubismo, século XX, é considerado o primeiro movimento a utilizar, oficialmente, essa técnica. Artistas como Picasso utilizaram, unindo outras formas de arte às pinturas.

– A moda também não está isenta desse formato. A artista plástica canadense Quentin Jones é um exemplo recente e de sucesso. Marcas como Chanel e Harvey Nichols já usaram os dotes da moça para catálogos, editorias e campanhas. Todos eles com colagens que, mais uma vez, beiram o humor, característica que já virou um plus desse recurso.

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Imagens assinadas por Quentin Jones

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