Moda

Moda: neutralidade de gêneros abole sexo na indumentária

By 15 de maio de 2015 No Comments

Produzir moda para gêneros específicos parece não fazer mais sentido para algumas marcas. A neutralidade de gêneros agora tem apelo universal

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Milan Men’s Fashion Week: Prada Spring/Summer 2015

Roubar peças do guarda-roupa masculino é praticamente uma tradição das mulheres. Esse senso comum chega à indústria da moda, que caminha para tornar realidade a neutralidade de gêneros, ou seja, abolir a diferenciação dos sexos na indumentária. A moda sem gênero é reforçada cada vez mais.

Enquanto a maioria das marcas de moda ainda exibe coleções em passarelas específicas para coleções masculinas e femininas, Miuccia Prada fundiu as duas linhas em sua última apresentação. “Acho que essa combinação é mais real. É mais atual; do contrário parece que estamos em classes, no tempo do meu avô em que mulheres eram separadas dos rapazes”.

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Milan Men’s Fashion Week: Prada Spring/Summer 2015

Ao longo da história, grandes mulheres do cinema flertaram com a moda masculina. Katharine Hepburn usou camisas da marca masculina Brooks Brothers, Marlene Dietrich exibiu um costume para reafirmar sua personalidade dominadora e Doris Day conquistou seu amor usando saias oversize.

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Katharine Hepburn

“Vendemos muitos suéteres femininos da Givenchy para homens. Eles adoram os gráficos”, disse Judd Crane da loja de departamentos inglesa Selfridges.

“Enquanto lançávamos nossa loja feminina, os dois gêneros compravam a marca Thom Browne em nossas lojas masculinas”, admite Rob Ferris, hed buyer da Harrods, que tem em sua campanha atual a linda modelo Malgosia Bela usando roupas masculinas. “Browne é um visionário e suas peças são admiradas por todos que amam alfaiataria. É uma marca para pessoas que apreciam design, independente de sua forma”, complementa Ferris.

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Malgosia Bela para campanha da Harrods, SS15

Thom Browne, SS14  - thom browne ss14 41 683x1024 - Moda: neutralidade de gêneros abole sexo na indumentária

Thom Browne, SS14

“Pra mim, colocar homens e mulheres na mesma passarela é estratégia para condensar a temporada. É mais fácil mostrar coleções masculinas e coleções preview porque a escala de produção das duas é muito parecida”, afirma o estilista Jonathan Anderson, que tem outra opinião sobre o assunto: “O conceito de unisex é ultrapassado. Agora é mais sobre a roupa em si. Camisetas, jeans, casacos, jaquetas — todo tem o mesmo significado, independente se é um homem ou mulher usando. É uma zona neutra”.

A amada loja de departamentos Selfridges inicia essa nova maneira de pensar e consumir com o projeto ‘Agender’, que começou no início desse ano vendendo roupas sem especificação de gênero.

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Outros exemplos podem ser identificados em marcas como Givenchy e Burberry Prorsum, que produzem versões de mesmo estilo para ambos os sexos na passarela.

Uma coisa é realmente imutável, independente das opiniões aqui expostas: nossos corpos são diferentes. É genial que as marcas reproduzam o mesmo estilo da peça em escalas apropriadas, mas isso, por enquanto, se aplica apenas às marcas de alta-moda ready-to-wear, por mais que essa ideologia comece a ser mostrada em semanas de moda brasileiras, como vi acontecer em algumas marcas que desfilaram no Dragão Fashion Brasil 2015.

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Bruno Santos

Bruno Santos

co-fundador da BLOGAZINE, gosta mais de mostarda do que de ketchup. Acredita que internet deveria ser igual ao sol: disponível para todos se beneficiarem

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