Desfile Burberry, uma das marcas pioneiras no see-now-by  - burberry BLOGAZINE - See-now-buy-now: da passarela direto para o varejo
Desfile Burberry, uma das marcas pioneiras no see-now-buy-now

See-now-buy-now, em português veja- agora-compre-agora, revela-se a saída do mercado de moda para recriar o frenesi das compras por impulso.

Esperar quatro meses para poder viabilizar uma coleção ao seu público é uma dinâmica que não faz mais sentido em nossos dias. A pressa dos nossos dias não nos dá a paciência que tínhamos antigamente para esperar o objeto de desejo chegar às lojas. A metralhada de imagens divulgadas imediatamente durante os desfiles funciona como uma campanha publicitária. E logo espera-se que o produto já esteja disponível para compra.

Na contramão da tecnologia, a moda levou muito tempo para entender que em tempos de imagem ver é querer; e querer é poder comprar.

Até hoje as marcas preparam peças-piloto especialmente para o desfile, na preocupação de fazer apostas certas e em não errar na quantidade da produção de peças. Algumas peças nem são pensadas para venda, servem apenas para o show, ou seja: a definição do conceito temático da coleção e sua referência. Após o desfile, de acordo com os pedidos dos compradores e aceitação dos críticos convidados, a linha de produção entra em ação.

Entretanto, nos últimos tempos, tão logo as coleções chegam às boutiques suas cópias ou peças por elas inspiradas também chegam nas redes de fast-fashion.

Anunciada em primeira mão pela Burberry, Diane von Furstenberg e por Tom Ford, surge uma nova experiência chamada internacionalmente de “see-now-buy-now”. A ação pretende por à venda toda a coleção imediatamente após o desfile.

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Tom Ford

O desafio já fez com que o conselho americano de design de moda, Council of Fashion Design of America, redigisse um guia para as marcas e designers orientando-os como organizar desfiles em concomitância com o lançamento das coleções e seus eventos. O CFDA aconselha ainda o uso de nomenclatura adequada para especificar cada tipo de coleção (resort, cruise, pre-spring e agora see-now-buy-now). O guia recomenda que bloggers e influencers tenham encontros separados dos compradores especializados. Por fim, uma vez que tudo é uma tentativa para aumentar as vendas, o conselho pede o feedback das marcas.

Em fevereiro passado, durante a última semana de moda milanesa, a marca italiana Prada fez sua tentativa see-now-buy-now e ofereceu, no dia seguinte ao seu desfile, dois modelos de bolsa mostrados na passarela. Apesar das vendas terem sido um sucesso segundo declarações da marca, Stefano Cantino, diretor estratégico de marketing do grupo, diz não assegurar repetir a experiência. “A base de nossos produtos é o artesanal, que tem como necessidade o seu próprio tempo, diferente daquele que tem o Instagram”, explicou Cantino.

Ao que tudo indica, a insegurança na hora da compra começa lá atrás na hora de escolher o que produzir. Ninguém gosta de errar. E na falta de uma bola de cristal, melhor prevenir arriscando alguns meses do que apostar naquilo que pode não vingar.

Bons eram os tempos dos grandes costureiros como Yves Saint-Laurent, que davam a cara à tapa e mostravam suas criações.

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