Veronique Claverie, diretora Louboutin, fala ao BLOGAZINE

Veronique Claverie, diretora Louboutin, fala ao BLOGAZINE

Veronique Claverie, managing director Brazil da Christian Louboutin, diz “uma brasileira que compra o primeiro Louboutin compra também um status.”

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Veronique Claverie, managing director Brazil Christian Louboutin

Veronique Claverie é managing director Brazil da Christian Louboutin. Francesa, ela está no país há 15 anos. Seu trabalho é cuidar das unidades brasileiras da Christian Louboutin, supervisionar a chegada das coleções em território nacional e preparar o mercado para receber novos pontos de venda da marca, e mais.

Conversamos com Claverie em São Paulo, durante a exibição do filme documentário sobre a carreira do designer Christian Louboutin ‘Top of the Heels’.

 

Gostaria que você se apresentasse para o BLOGAZINE.

Eu sou Veronique, trabalho como Managing Director da marca Christian Louboutin no Brasil. Sou francesa, estou no Brasil há 15 anos e na Louboutin há três anos.

Como você enxerga a entrada de produtos de importados no Brasil nesse momento de crise política e financeira?

Este ano ainda é cedo para falar, mas é óbvio que estamos sendo mais cautelosos. As principais marcas de luxo que já estão no Brasil e estavam com planos de abrir mais lojas acho que não vão fazer acontecer. Não vou dizer que os planos devem ser cancelados, mas acredito que estão esperando ver qual será o desempenho econômico deste ano e talvez do ano que vem para tomarem uma decisão para 2017.

Isso quer dizer que a Louboutin não deve abrir no Rio de Janeiro este ano?

Não. A gente está de olho no Rio há algum tempo. Começamos em 2009 na loja do Iguatemi aqui em São Paulo, depois foi a vez de Brasília, em 2011. Abrimos essa loja flagship no Iguatemi JK, que é a única no Brasil a ter a coleção masculina. Ainda estamos com planos de abrir no Rio, mas vamos dar um tempo.

Como a política de parcelamento é recebida em uma empresa internacional?

É uma coisa extremamente brasileira e é um sofrimento explicar para estrangeiros. Mas é uma coisa que eles aceitam quando falamos que é a cultura do brasileiro. Ou é isso ou não se tem opção, entende? Vejo outras marcas que chegaram no Brasil com uma política bem rígida negando o parcelamento e seis meses depois perceberam que as vendas não estavam fluindo. Quando se é uma marca estrangeira, além de colocar a sua identidade, o seu DNA, você tem que se adaptar às praticas brasileiras. Para mim, a prática de parcelamento é algo muito brasileiro.

Qual outra particularidade brasileira?

Outra coisa que eu vejo é que a cliente brasileira é mimada, diferente de uma cliente chinesa ou francesa. Aqui tem uma cultura de mimo muito forte. Essas duas coisas, para mim, são muito fortes, são bem brasileiras.

Você acha que esse tratamento diferenciado faz com que a cliente Louboutin prefira comprar no Brasil do que no exterior?

Depende da cliente. Temos clientes que estão mais fora do Brasil por causa da profissão delas ou do marido, então acabam comprando no exterior. Outras compram fora e no Brasil. Também temos clientes que moram em outros estados e não viajam muito ou não falam outras línguas e por isso preferem comprar aqui. E a gente tem ainda a cliente super querida, super fiel, que tem um relacionamento tão estreito com o vendedor que ela só quer comprar com ele.

Como é feita a escolha dos produtos que chegam às lojas brasileiras?

Eu tenho uma buyer na minha equipe que vai quatro vezes para Nova Iorque. Lá temos o que chamamos de ‘Market’, onde vemos todos os protótipos da próxima coleção e fazemos as escolhas. Eu e ela escolhemos a primeira seleção. Tem sempre uma parte que chamamos de “coeur de collection”, ou seja, coração da coleção, que são as peças mais emblemáticas que o próprio Christian fala: “Eu quero esses modelos em todas as lojas do mundo”. Depois a gente adapta fazendo reuniões de briefing com os gerentes e melhores vendedores.

É verdade que existem produtos que só são vendidos na Coréia e outros só nos Estados Unidos?

Sim. Existem edições limitadas também. Para o lançamento da marca no Brasil tivemos uma sandália que era de cetim amarelo, verde e azul. Christian desenhou como a bandeira brasileira.

Temos uma parte da coleção que chamamos de “core”, que são os modelos mais clássicos, os scarpins de pelica ou de verniz, em preto ou nude são produtos que sempre voltam.

Às vezes o Christian decide dar um intervalo de seis meses a dois anos na produção de um modelo de sapato. E então caso um país quiser comprá-lo, a decisão é repensada. Por exemplo, já aconteceu conosco com um scarpin pontudo preto que é um best seller por ser um pouquinho mais largo na frente. Quase todos os anos compramos esse modelo para o Brasil e é uma produção que é feita somente para nós porque somos o único país no mundo a pedir esse sapato. As brasileiras tem o peito do pé um pouquinho mais alto e a frente um pouquinho mais larga.

A boutique “beauté” que vende somente os produtos de beleza já abriu em Paris. Como anda o processo no Brasil? Vamos ter o esmalte Louboutin também?

Ainda não decidimos se vamos lançar a linha de beleza no Brasil. Estamos estudando a nível internacional e obviamente tem a burocracia com a Anvisa para a liberação que pode levar um ano.

Mulheres e sapatos são uma história antiga que envolve desejo e imagem. O que você acha que um sapato Louboutin pode trazer para a imagem de uma mulher?

Acho que temos dois aspectos. Um o aspecto de feminilidade e desenho da perna. Se você pegar um scarpin nude do tom da sua pele, o sapato vai se fundir com a perna e vai alongar. Quando você coloca um salto, o movimento muda — o ponto de equilíbrio do corpo muda — e faz com que a mulher fique em uma posição mais bonita, com uma postura mais bonita.

Depois você tem o aspecto de posicionamento social. Uma brasileira que compra o primeiro Louboutin compra também um status, como um relógio de marca.

Muito obrigada!

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