A Searchlight Pictures acaba de garantir os direitos do elogiado thriller “Monitor”. A aquisição acontece logo após a estreia mundial do longa, que sacudiu a prestigiada seção Midnighter do festival SXSW em março deste ano. Ainda não há uma data cravada para a chegada aos cinemas. A distribuidora, no entanto, confirmou que o lançamento oficial está planejado para 2027, garantindo também a distribuição no Reino Unido e no Sudeste Asiático.
O projeto já vem sendo descrito nos bastidores da indústria como uma mistura instigante de A Hora do Pesadelo com O Chamado, mas totalmente voltado para a nossa geração ultraconectada. A trama acompanha uma jovem moderadora de conteúdo, vivida por Brittany O’Grady. O trabalho dela envolve passar os dias filtrando o pior e mais bizarro material que a internet tem a oferecer. A rotina muda drasticamente quando ela sinaliza e remove um vídeo misterioso. Quase imediatamente, ela e seus colegas de trabalho passam a ser caçados por uma força maligna, que utiliza as onipresentes telas do dia a dia para matá-los. O elenco conta ainda com nomes como Taz Skylar, Viveik Karla, Ines Høysæter Asserson, Gunner Willis, Sara Alexander e Camila Bejarano Wahlgren.
Matt Black e Ryan Polly assinam a direção. Eles admitiram surpresa com a proporção que o projeto tomou. Em comunicado oficial, os diretores revelaram que, quando fizeram o curta original há oito anos, nunca imaginaram que a história encontraria uma casa na Searchlight. A dupla acredita que o filme foi feito para o cinema, proporcionando a experiência coletiva de aterrorizar uma sala lotada. Matthew Greenfield, presidente da distribuidora, elogiou a obra como um terror visceral e moderno. Ele destacou a forma inteligente como a história explora o medo coletivo daquilo que pode estar escondido nas bordas das nossas telas. A produção ficou a cargo de Marty Bowen, Wyck Godfrey e Isaac Klausner, mesmos produtores do sucesso Sorria, junto com John Fischer e Adrian Guerra. A equipe de produtores executivos traz ainda Nuria Valls, Hal Sadoff, Ben Levine, Dave Bishop e George Hamilton.
Enquanto o futuro do gênero se desenha com narrativas sobre os horrores da era digital, o cinema também celebra os marcos importantes do seu passado recente. Alguns dos títulos mais influentes dessa nova fase do terror completam sua primeira década, provando como o medo se reinventou de forma brilhante nos últimos dez anos.
O lado sombrio do Natal
Um excelente exemplo dessa safra é Krampus: O Terror do Natal. O longa coloca uma família disfuncional em rota de colisão com uma antiga força maligna bem na época das festas. Tudo começa porque o pequeno Max, esgotado pelas tensões dos parentes, perde a fé no espírito natalino. Essa desilusão acaba invocando Krampus, uma entidade demoníaca implacável que pune quem ousa não acreditar na magia do Natal. Logo a casa se transforma em uma armadilha isolada pela neve. A família precisa enfrentar criaturas sobrenaturais grotescas e lutar bravamente pela própria vida. A obra acerta ao equilibrar perfeitamente o terror e a comédia. Além de entregar uma estética visual que flerta com contos de fadas macabros, o roteiro faz duras críticas ao consumismo e à alienação emocional que frequentemente marcam as comemorações de fim de ano.
Opressão e o horror minimalista
Outro destaque de peso que marca seu décimo aniversário é A Bruxa. A trama nos joga diretamente na Nova Inglaterra do século XVII. Expulsos da sua comunidade, os membros de uma família puritana tentam recomeçar a vida à beira de uma floresta isolada. Eventos inexplicáveis começam a acontecer quase imediatamente. A jovem Thomasin vira o alvo principal, sendo acusada de feitiçaria pelos próprios familiares. O diretor Robert Eggers optou por uma recriação histórica rigorosamente fiel, com cenários e figurinos precisos que ajudam a construir um ambiente sufocante. O medo aqui foge da violência gratuita para abraçar o terror psicológico. A narrativa mergulha fundo na opressão religiosa, nos pecados e na crise de identidade da protagonista, entregando uma experiência imersiva e profundamente perturbadora.
O perigo mora ao lado
Já A Visita traz o suspense para um ambiente que, em tese, deveria ser extremamente acolhedor e seguro. Os irmãos Becca e Tyler são mandados para passar uma temporada na fazenda remota dos avós maternos, enquanto a mãe viaja. A visita tinha tudo para ser uma chance de reconexão familiar. Contudo, as crianças não demoram a notar comportamentos bizarros e assustadores por parte dos idosos. Dirigido por M. Night Shyamalan, o filme resgata a linguagem do found footage. A história é contada através das gravações de documentário feitas pelos próprios netos. Shyamalan brinca habilmente com o medo do desconhecido e a quebra de confiança infantil. A tensão é construída lentamente, sem recorrer ao excesso de sangue, culminando em uma daquelas grandes viradas aterrorizantes que são a marca registrada do cineasta. O título continua atraindo fãs e pode ser visto hoje no Amazon Prime Video, ou alugado na Apple TV e Google Play Filmes e TV.
Passados que assombram
Expandindo mitologias já consolidadas na cultura pop, Sobrenatural: A Origem retrocede no tempo para nos mostrar eventos anteriores aos dois primeiros sucessos da franquia. A história foca na jovem Quinn Brenner. Desesperada após a morte trágica da mãe, ela tenta contato com o além por meio de sessões de espiritismo e acaba virando presa de algo maligno. A situação sai do controle e obriga a vidente Elise Rainier a encarar seus próprios fantasmas pessoais para salvar a garota. O filme funciona muito bem como um prelúdio. Ele traz um bom equilíbrio de sustos e expande de maneira orgânica o universo criado por James Wan e Leigh Whannell. Assim como A Visita, a produção está disponível no Amazon Prime Video e nas principais plataformas de aluguel digital.
Fechando essa leva de produções que completam uma década de tensão, A Forca aposta nos perigos de mexer com o que deveria ficar enterrado. Um grupo de estudantes do ensino médio decide reencenar uma peça de teatro escolar. O grande problema é que a mesma montagem resultou em uma terrível tragédia fatal vinte anos antes. A insistência dos jovens em reviver esse passado traumático logo se mostra um erro brutal, desencadeando consequências aterrorizantes para todos os envolvidos.