O Brasil pretende emitir obrigações denominadas em yuan na China todos os anos. O objetivo é criar uma referência de mercado para a dívida soberana brasileira na moeda chinesa e facilitar futuras captações de empresas do país junto de investidores locais.
Francisco Segundo, vice-secretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, explicou num seminário do Conselho Empresarial Brasil-China que a primeira operação é prevista para antes do fim do ano. Segundo ele, a prioridade é estratégica: abrir o mercado a novos investidores, e não obter um volume elevado de financiamento.
Os chamados títulos panda são emitidos por entidades estrangeiras no mercado obrigacionista chinês, em yuan. A modalidade tornou-se mais atraente depois de as autoridades chinesas eliminarem, em dezembro de 2022, a exigência de manter no país os recursos captados. Dados citados na publicação indicam que essas emissões tiveram neste ano cupão médio de 1,97%, abaixo dos custos de financiamento em dólares, situados entre 4,5% e 5,5%.
O pedido brasileiro foi formalizado em junho, quando o ministro das Finanças, Dario Durigan, entregou uma carta de intenções ao governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng. Se a emissão avançar, o Brasil será o primeiro Estado soberano da América Latina a colocar títulos panda.
O valor ainda não foi definido. As indicações divulgadas variam entre até 5 mil milhões e cerca de 10 mil milhões de yuan. As autoridades chinesas já aprovaram a candidatura, mas ainda faltam procedimentos técnicos, entre eles a contratação de uma agência chinesa para avaliar a dívida soberana. O Tesouro mantém a meta de concluir a operação em 2026, embora admita que o calendário ainda não esteja garantido.