Todos nós, em algum momento, já pensamos em apertar um botão de reset na própria história. Seja na vontade literal de voltar no tempo ou na tentativa de remendar um relacionamento que pisca em neon de tanto “red flag”, as produções da Netflix têm explorado essa nossa obsessão por segundas chances de formas bem peculiares. Pegue, por exemplo, o contraste brutal — mas curiosamente complementar — entre o saudosismo caótico de De Volta aos 15 e os dilemas maduros de Sullivan’s Crossing. Duas séries que, no fim das contas, falam sobre a bagunça que é tentar consertar o passado e sobreviver às escolhas do presente.
O Efeito Borboleta à Brasileira
A produção nacional que nasceu das páginas do romance da escritora Bruna Vieira virou um verdadeiro fenômeno desde que desembarcou como original do streaming em 2022. Com a direção de Maria de Medicis, a gente acompanha a Anita — dividida de forma cirúrgica entre o carisma jovem da Maisa Silva e a frustração adulta da Camila Queiroz. Aos 30 anos, a vida dela está bem longe de ser o que ela sonhava. O peso das responsabilidades bate forte, até que ela tropeça numa brecha temporal que a joga direto de volta aos corredores do ensino médio, dando a chance de fazer tudo diferente. A recepção pelo público e pelos fãs do best-seller foi tão absurda que a renovação saiu em menos de um mês após a estreia.
Agora, sob a batuta de produção da Carolina Alckmin e Maura Lucas, da Glaz Entretenimento, a segunda temporada não pisa no freio nas reviravoltas. A Anita precisa ligar a máquina do tempo de novo, mas a bronca atual é outra: tentar dar um jeito na vida da irmã, Luiza (Mariana Rios). Só que o buraco é bem mais embaixo, já que ela descobre que o Joel (Gabriel Stauffer), um velho amigo de escola, também domina a arte de ser um viajante no tempo. É óbvio que isso resulta em uma baita confusão que coloca o futuro de todo mundo na corda bamba.
E para quem já maratonou e ficou órfão, a plataforma acabou de confirmar que a produção vai ter continuação — embora a data de lançamento ainda seja um mistério. O elenco, felizmente, continua segurando o rojão com nomes conhecidos reprisando seus papéis: João Guilherme volta como o Fabrício, Klara Castanho na pele da Karol, e Caio Cabral como Henrique. A trama ainda ganha corpo com as presenças de Amanda Azevedo, Bruno Montaleone, Yana Sardenberg e Lucca Picon.
A Realidade Bate à Porta em Sullivan’s Crossing
Mas se a Anita resolve seus B.Os apagando o passado, na quarta temporada de Sullivan’s Crossing (que já está disponível no catálogo), a realidade chega cobrando a conta com juros. A série da CTV/CW acabou de entregar um final que deixou muito fã de cabelo em pé. Em um papo super franco com o USA TODAY, Chad Michael Murray — que dá vida ao amado faz-tudo California “Cal” Jones desde 2023 — mandou a real sobre o turbilhão emocional que tomou conta da trama.
O bicho pegou de vez para o Cal e para a Maggie Sullivan (Morgan Kohan) quando o ex-marido dela, o Liam (Marcus Rosner), resolveu dar as caras e tentar recuperar o território perdido. Em vez de só defender o próprio personagem, o Chad teve uma visão bem analítica da coisa: “Se você olhar para a história do Liam e o relacionamento deles, tem validade ali. Se o Cal não fosse o cara que estamos acompanhando desde o primeiro episódio, muita gente poderia facilmente comprar o lado do Liam nessa história toda”.
E falando em lados da história, impossível ignorar o elefante na sala: a Maggie mentir descaradamente sobre a situação com o Liam e, no fim, acabar sendo perdoada pelo Cal só porque ela topou mentir em nome do Ben (Colby Frost). Chad riu de nervoso na entrevista, admitindo sem rodeios que existe “um zilhão de red flags” nessa dinâmica. Na visão do ator, ela realmente passou do ponto. Mas, sendo um drama televisivo, a gente acaba engolindo essas coisas porque refletem a nossa própria jornada — afinal, somos nós que decidimos quais limites cruzar na vida real.
O Que Fica Para o Futuro
O grande desfecho da temporada jogou uma bomba emocional no colo dos protagonistas: eles foram chamados para assumir a guarda da pequena Tracy (Emerson MacNeil), já que os pais adotivos da menina não deram conta do recado. Para o Murray, esse cliffhanger foi o ponto alto. Ele sentiu que o Cal precisava, de uma vez por todas, traçar uma linha no chão e tomar as rédeas da própria vida em vez de só aceitar o que o destino joga na cara dele.
Sem contar as intensas discussões nos bastidores sobre o famigerado pedido de casamento. Rolou até um cenário onde a própria Maggie é quem se ajoelharia. Chad disse que deu seus pitacos, mas deixou a decisão final para os chefões, focando no que seria mais satisfatório para o público. Com as gravações da quinta temporada marcadas para agosto, a única esperança do ator — e definitivamente a de quem assiste — é que os dois consigam finalmente enfrentar o mundo lá fora como um time de verdade. De preferência, sem mais mentiras ou bandeiras vermelhas gigantes no meio do caminho.