Guia de Streaming da Semana: Entre Despedidas na Cozinha e a Nova Cara de Geralt de Rívia

Guia de Streaming da Semana: Entre Despedidas na Cozinha e a Nova Cara de Geralt de Rívia

Com a infinidade de opções pipocando entre o streaming e a TV a cabo, decidir o que assistir virou quase um esporte radical. Para facilitar sua vida nesta semana de 22 a 28 de junho, filtramos o que há de mais quente na programação. De lições de história distorcidas a despedidas tensas na cozinha, tem um pouco de tudo. E claro, não dá para ignorar a mudança drástica que acabou de sacudir as estruturas do Continente em The Witcher.

Comédia, Saudosismo e Reformas

Às vezes, a melhor saída é olhar para trás e dar risada. É bem essa a pegada de Larry David em Life, Larry and the Pursuit of Unhappiness, uma série de esquetes de sete episódios na HBO Max que satiriza momentos cruciais da história americana. A atração estreia na sexta-feira, às 21h, e traz ninguém menos que os Obamas na produção executiva. Pode esperar aquelas tiradas afiadas e participações especiais que vão fazer a alegria tanto dos ratos de história quanto dos órfãos de Curb Your Enthusiasm.

Se a vibe for um saudosismo mais aventuresco, a Netflix traz de volta o live-action de Avatar: O Último Mestre do Ar para a sua segunda temporada já nesta quinta-feira. Aang (Gordon Cormier), Katara (Kiawentiio) e Sokka (Ian Ousley) seguem na luta contra o perverso Senhor do Fogo Ozai (Daniel Dae Kim), que continua bolando seus planos para dominar as nações. A galera ainda bate boca na internet se a série faz jus à animação clássica de 2005 da Nickelodeon, mas a verdade é que a onda de nostalgia sempre acaba segurando a audiência.

Mudando totalmente de ares, o Ame-a ou Deixe-a chega à sua 21ª temporada na HGTV, provando que a fórmula ainda tem fôlego. O esquema é o mesmo de sempre na terça-feira às 20h (com episódios pingando na HBO Max no dia seguinte): o corretor David Visentin tenta convencer os donos a venderem a casa que ficou pequena, enquanto Page Turner entra rasgando com as reformas para provar que, com uma mudança de perspectiva, o lar doce lar ainda tem salvação.

Para dar uma desanuviada, o Apple TV+ solta na sexta-feira Acampamento Snoopy. É quase um limpa-paladar ver a turma do Charlie Brown e os escoteiros debatendo se cachorro-quente é melhor que hambúrguer, ganhando distintivos e torrando no sol do Acampamento Spring Lake. Fica a dica amigável da série: deixe o lugar sempre mais limpo do que você encontrou.

Premiações e o Fim do Expediente no The Bear

No mundo da música, o domingo é dia de celebrar. A 26ª edição do BET Awards vai rolar ao vivo direto do Peacock Theater, em Los Angeles, com Druski no comando e a lendária MC Lyte nos anúncios. O evento vai homenagear as carreiras de Lauryn Hill, Teyana Taylor e da executiva Sylvia Rhone. Cardi B, que lidera a corrida com seis indicações, é um dos nomes de peso confirmados para quebrar tudo no palco.

Enquanto o glamour rola solto na premiação, o clima pesa de vez nas cozinhas da FX. A aclamada The Bear chega ao fim de sua linha com a quinta temporada estreando nesta quinta-feira, às 21h (disponível também no Hulu). A trama inteira vai espremer os eventos de um único e caótico dia ao longo de oito episódios. A barra pesa no colo da sous chef Sydney (Ayo Edebiri), que precisa segurar as pontas após Carmy (Jeremy Allen White) anunciar que vai pular fora do restaurante. Com o caixa no vermelho e o moral da equipe arrastando no chão, os poucos que sobram lutam para manter o sonho da estrela Michelin vivo. Matty Matheson, que vive o faz-tudo do lugar, resumiu bem o absurdo do impacto cultural da série em um papo com o The New York Times: “Esse negócio de ‘Sim, Chef’ é a parada mais idiota que já saiu disso. Tem a p*rra de uns comerciais de banco usando ‘Sim, Chef'”.

A Polêmica de The Witcher: Como Explicar o Inexplicável?

Falando em chefes abandonando o barco e mudanças drásticas de elenco, é impossível não dissecar o que rolou em The Witcher. A quarta temporada da série, que estreou no streaming em 30 de outubro deste ano, trouxe a troca que deu o que falar: Henry Cavill pendurou o medalhão e entregou as espadas de Geralt de Rívia para o australiano Liam Hemsworth.

Cavill já tinha soltado a bomba no Instagram lá em 2022. No comunicado que pegou todo mundo de surpresa, ele mandou que sua jornada estava cheia de monstros e aventuras, mas que era hora de fechar esse capítulo. Oficialmente, a justificativa focou na agenda lotada e em novos projetos pessoais. Nos bastidores, porém, o boato que corre solto é que ele estava pistola com os rumos da adaptação, que vinha escanteando sem dó o material original dos livros. A Netflix nunca bateu o martelo sobre isso, claro.

A grande pulga atrás da orelha dos fãs era puramente logística: como a série ia justificar o Geralt acordar com uma cara totalmente diferente? A saída encontrada foi curiosa, para dizer o mínimo. Na tela, ninguém da trupe do bruxo vira e comenta sobre a nova lataria dele. O máximo de metalinguagem que entregam é uma fala solta do Jaskier, que manda um papo de que o amigo “não foi mais o mesmo” depois dos perrengues da última temporada.

A verdadeira sacada narrativa bebeu direto da fonte literária. A trama agora nos joga para um futuro distante, onde o bruxo e sua galera já viraram lendas de fogueira. A quarta temporada adota a tática do narrador não-confiável, colocando o excêntrico Stribog (Clive Russell) para contar as histórias de Geralt para um bando de crianças. Essa malandragem de roteiro é o que costura as pontas soltas e as incoerências com as temporadas passadas. É exatamente por isso que o novo ator aparece de supetão em cenas chave que, na nossa memória, foram protagonizadas por Cavill.

A produção tratou a troca de rostos com um belo encolher de ombros. Quando um dos moleques dá uma de espertinho e corta o Stribog para avisar que ele está contando a história errada, o velho crava sem pestanejar: “Isso aconteceu cem anos atrás, não tem certo e errado…”. No fim das contas, foi a carta branca perfeita para tocar o barco.