A Fúria de Bronze e o Preço Sangrento: O Escalar da Guerra em House of the Dragon

A Fúria de Bronze e o Preço Sangrento: O Escalar da Guerra em House of the Dragon

A espera acabou, mas a um custo altíssimo. Mais de dois anos após a estreia da sua segunda temporada, House of the Dragon voltou com uma terceira leva de episódios que não perdeu tempo e já jogou os fãs direto no fogo cruzado. A série, comandada pelo showrunner Ryan Condal, planejava originalmente entregar uma batalha naval colossal no fim da segunda temporada, mas a greve dos roteiristas de 2023 forçou o corte da sequência. Agora, o embate finalmente rolou, servindo como uma abertura brutal de temporada que já chega ditando um tom mortífero para o que vem pela frente.

O Caos na Batalha da Goela

O episódio pavimenta o caminho até a famosa Batalha da Goela, conhecida pelos leitores da obra de George R.R. Martin como um dos conflitos mais consequentes e trágicos da Dança dos Dragões entre os Pretos, leais a Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy), e os Verdes, que seguem o sobrinho dela, Aegon (Tom Glynn-Carney). Mostrada a partir das perspectivas de quem estava nas trincheiras de ambos os lados da batalha naval, o embate termina com uma vitória amarga para o Time Preto. Eles ganham o dia no mar, mas sofrem uma perda irreparável: Jace Velaryon, o filho mais velho de Rhaenyra. É a segunda criança que ela perde para essa carnificina.

A morte de Jace acontece no meio de um caos absoluto. A frota inimiga, liderada pela comandante Shark Lohar (Abigail Thorn), já estava trocando golpes duríssimos contra a esquadra do Serpente Marinha, Corlys Velaryon (Steve Toussaint). O cenário foge totalmente do controle quando Baela (Bethany Antonia) perde as rédeas do seu dragão devido à aparição surpresa de sua irmã Rhaena (Phoebe Campbell), que surge montada numa fera recém-reivindicada e totalmente indomável. Jace tenta intervir para ajudar a acalmar os ânimos, mas assim que ele e o seu próprio dragão se estabilizam no mar, uma chuva implacável de virotes gigantes o perfura, matando-o na hora. O mais trágico? Ele nem deveria estar ali, já que Rhaenyra o havia proibido expressamente de navegar para a guerra.

A Despedida de Jace e o Impacto na Trama

Enquanto a rainha inicia seu luto profundo, o ator Harry Collett, que deu vida a Jace, está numa vibração completamente diferente: a de pura celebração. “Fiquei muito feliz com o resultado”, contou o ator ao The Hollywood Reporter. “É um jeito muito foda de morrer. Não foi um detalhe varrido para debaixo do tapete. Teve um impacto enorme num episódio épico… Que morte heroica ele teve. Não é só mais uma morte chata.”

Collett teve bastante tempo para se preparar para o seu fim, não só pelo atraso das gravações devido às greves, mas pelo fato de que o elenco é avisado de antemão sobre o destino dos personagens. Ele se diz grato pela transparência da produção, evitando a crueldade de descobrir a própria morte apenas no dia da leitura do roteiro. Como bônus, no seu último dia no set, colegas como Emma D’Arcy e Matt Smith apareceram para prestar homenagens, e o ator ainda levou para casa brindes de respeito: a espada do Jace e a imensa cabeça do dragão Vermax usada pelos dublês de ação.

Para quem fica em Westeros, não há prêmio de consolação. Bethany Antonia resumiu com precisão o peso narrativo dessa perda: Rhaenyra começou toda essa guerra para legitimar os próprios filhos. Agora que eles estão morrendo em combate, qual é o objetivo final? O custo da Dança dos Dragões está engolindo sua própria razão de existir, e isso altera drasticamente a dinâmica da temporada daqui em diante.

O Ás na Manga: Quem é Vermithor?

(Aviso: a partir daqui, adentraremos em revelações e spoilers sobre eventos futuros da guerra).

Com as motivações se tornando cada vez mais sombrias e as perdas se acumulando, a necessidade de poder bélico absoluto atinge níveis críticos. E em Westeros, o maior armamento possível tem asas e cospe fogo. É aqui que entra um dos maiores focos de expectativa da trama: Vermithor.

Apresentado de relance no último episódio da primeira temporada — naquela cena marcante onde Daemon Targaryen o encontra e canta uma antiga melodia em alto valiriano —, Vermithor não é um dragão qualquer. No início da série, ele está sem cavaleiro, criando o suspense natural de quem conseguiria domá-lo. Conhecido como “A Fúria de Bronze” devido à couraça imponente de suas escamas, ele é um dos maiores e mais temíveis dragões já vistos. Para se ter uma noção da escala colossal do bicho: no seu auge, ele era o terceiro maior do reino, ficando atrás apenas de Vhagar e do lendário Balerion, o Terror Negro (sendo que Vhagar tinha apenas metade do tamanho do gigantesco Balerion).

Com quase cem anos de idade durante a guerra civil e após a morte do misterioso dragão selvagem Canibal (cuja dimensão exata sempre foi alvo de debates), Vermithor assume o posto de segundo maior dragão vivo. Sua idade o agracia com extrema experiência e ferocidade em combate, mas a sua convivência de longa data com humanos também facilita a interação para futuros cavaleiros audaciosos.

Um Passado Místico e Alianças Quebradas

Historicamente, Vermithor carrega um grande legado. Ele foi a montaria do Rei Jaehaerys I Targaryen (o avô de Rhaenyra) durante longos anos de paz e prosperidade no reino. Um dos relatos mais intrigantes de sua juventude envolve uma viagem de Jaehaerys e da Rainha Alysanne para o Norte. Ao chegarem à Muralha de Gelo, tanto Vermithor quanto o dragão Silverwing se recusaram terminantemente a cruzar o território para além da fortaleza. Há fortes indícios de que essa resistência estava ligada à presença oculta dos Caminhantes Brancos no extremo Norte, provando que os dragões possuem uma conexão visceral e quase instintiva com forças místicas ancestrais que fogem à compreensão humana.

Mas os dias de paz ficaram no passado. O destino empurra Vermithor para o centro da carnificina. Ele participará de momentos cruciais do conflito, em especial a Primeira Batalha de Tumbleton, onde começa lutando ao lado de Rhaenyra. No entanto, é aqui que a complexidade tóxica da Dança dos Dragões se revela: Hugh Hammer, o homem que consegue reivindicar o dragão, protagoniza uma traição devastadora e muda de lado, passando a lutar pelas forças Verdes de Aegon II.

A jornada amarga que liga o sacrifício precoce de Jace Velaryon ao fogo incontrolável da Fúria de Bronze em Tumbleton mostra a verdadeira face da guerra dos Targaryen. Com alianças se provando extremamente frágeis e armas de destruição em massa mudando de mãos num piscar de olhos, fica o recado de que, nesta disputa pelo trono, a lealdade é uma ilusão e o derramamento de sangue não perdoa ninguém.