A sombra que Vingadores: Guerra Infinita deixou pairando sobre Hollywood é gigantesca, e talvez ninguém sinta tanto esse peso agora quanto a própria equipe de Avengers: Doomsday. Oito anos se passaram desde que a Marvel atuava como aquele rolo compressor intocável de sucessos de bilheteria e aprovação constante. O cenário atual é fundamentalmente outro. A saturação do gênero de super-heróis é palpável, e a marca dos Vingadores carrega nas costas uma bagagem de expectativas quase irreal. Afinal, Guerra Infinita foi o ápice meticuloso de 18 filmes de pura construção de universo, amarrando dezenas de pontas soltas para entregar um soco no estômago do público que foi, no mínimo, um milagre cinematográfico. E sua sequência, Ultimato, serviu como a volta olímpica de uma franquia em proporções que o mundo nunca tinha visto.
Hoje, Doomsday tem uma missão bastante ingrata pela frente, mas Robert Downey Jr. garante que eles estão prontos para a pedreira. Em uma conversa recente com o CBR, o ator admitiu que a equipe suou a camisa para encontrar o que ele chama de o único “antídoto” possível para a pergunta que não quer calar: como não entregar um filme decepcionante depois de Ultimato?
A resposta parece fugir da simples pancadaria em CGI. O codiretor Joe Russo foi direto ao ponto ao afirmar que a saída é a complexidade emocional. Ele defende que trazer camadas mais densas para a narrativa não apenas enriquece a história, mas cria uma experiência surpreendente e muito mais completa. Russo chegou a cravar que Doomsday é o filme mais maduro e emocionalmente intricado de todos eles. São palavras pesadas, considerando que Guerra Infinita já tinha destroçado o público ao forçar os heróis a encararem o fracasso absoluto e suas próprias inseguranças. Com menos bagagem de universo construída desta vez para dar sustentação à trama, a jornada de Doomsday é uma ladeira íngreme. Mas, cá entre nós, fica difícil não dar um voto de confiança para Downey Jr. e os irmãos Russo, já que eles literalmente operaram o impossível nas telonas antes.
Enquanto a Marvel tenta reescrever sua própria trajetória apostando na maturidade para superar a crise do seu universo, os serviços de streaming correm por uma via um pouco diferente para entregar aquele espetáculo apocalíptico clássico que o público ainda consome vorazmente. É nesse vácuo que entra A Guerra do Amanhã, a nova ficção científica do Amazon Prime Video que acabou de ganhar seu primeiro teaser oficial.
Com estreia agendada para o dia 2 de julho, o longa foca na pura sobrevivência em um cenário onde o relógio está correndo contra a humanidade. No vídeo curto de 30 segundos, vemos Chris Pratt — temporariamente despido do humor de seu líder em Guardiões da Galáxia — trocando tiros frenéticos com alienígenas. Com direção de Chris McKay (Lego Batman: O Filme), a trama traz uma sacada temporal curiosa: a única esperança de vencer a invasão alienígena no futuro é voltar no tempo e recrutar soldados e civis do nosso presente para engrossar as linhas de frente da guerra que ainda vai acontecer.
No meio desses convocados está Dan Forester, o personagem de Pratt. Longe do estereótipo de supersoldado, ele é um professor de ensino médio e pai de família comum. Movido pela necessidade desesperada de garantir que o mundo ainda exista para sua filha crescer, Dan acaba unindo forças com uma cientista genial (Yvonne Strahovski) e o pai dela, interpretado pelo veterano J.K. Simmons. É uma aposta de peso que junta Amazon Studios, Skydance e Paramount Pictures (em associação com a New Republic Pictures), encorpada ainda por nomes como Betty Gilpin, Sam Richardson e Edwin Hodge no elenco.
No fim das contas, a indústria do entretenimento atual parece orbitar em torno do mesmo conceito fascinante: a urgência de reescrever o destino do planeta, seja através da jornada emocional complexa de um bilionário de armadura voltando aos cinemas, ou de um professor com um fuzil na mão tentando salvar o amanhã.