Tensão, Máfia e Sangue Frio: Os Filmes de Suspense Que a Crítica Abraçou em 2025

Tensão, Máfia e Sangue Frio: Os Filmes de Suspense Que a Crítica Abraçou em 2025

O ano de 2025 não brincou em serviço quando o assunto é deixar a gente na ponta da poltrona. O gênero de suspense entregou uma safra que não só soube dialogar muito bem com o grande público, mas que também arrancou aplausos (e notas altíssimas) daquela mídia especializada que costuma ser osso duro de roer. Entre diretores consagrados se reinventando, ficção científica afiada e um épico de artes marciais que chegou fazendo barulho, a curadoria deste ano é para quem tem estômago forte e gosta de narrativas que não entregam o jogo de cara. Dá uma olhada no que realmente dominou as telas e os streamings.

Ladrões

Darren Aronofsky resolveu dar um tempo no seu habitual terror psicológico para brincar de suspense policial, e pelo visto a aposta rendeu. Com 84% de aprovação no Rotten Tomatoes e um 65 no Metacritic, o filme coloca Austin Butler na pele de um bartender que só queria cuidar do gato de um vizinho. O problema é que o cara era traficante, e do nada o protagonista se vê no epicentro de uma guerra de máfias. O elenco de apoio é um absurdo, jogando na tela gente como Regina King, Zoë Kravitz, Matt Smith e Vincent D’Onofrio. É aquele tipo de roteiro que escala rápido do banal para o caos absoluto. Disponível na HBO Max.

Acompanhante Perfeita

Se a sua praia é uma paranoia tecnológica, esse aqui pegou muita gente desprevenida. Batendo 93% de aprovação dos críticos e 70 no Metacritic, a premissa começa como um thriller de sobrevivência qualquer durante um fim de semana numa casa no meio do nada. A personagem da Sophie Thatcher acaba matando um cara em legítima defesa, só que a virada de chave vem logo depois: ela descobre que é, na verdade, uma robô de companhia, inteiramente manipulada pelo próprio namorado (vivido por Jack Quaid). A HBO Max acertou em cheio ao distribuir esse sci-fi que flerta muito bem com os medos modernos.

Luta de Classes

Mexer em clássico de Akira Kurosawa (no caso, “Céu e Inferno”) é para poucos, mas o Spike Lee assumiu a bronca com a elegância de sempre. E quando você junta a direção dele com Denzel Washington, a margem de erro despenca. O filme cravou 83% no RT misturando suspense com o comentário social inerente ao diretor. Denzel é um figurão da indústria musical que recebe um pedido de resgate pelo próprio filho. A tensão vai lá para o teto quando cai a ficha de que os sequestradores erraram o alvo e levaram o filho do motorista dele em vez do seu. O dilema moral que se instala a partir daí carrega a trama e prende o espectador no Apple TV+.

Código Preto

A impressão que dá é que Steven Soderbergh não consegue fazer um filme ruim nem se tentar. Com absurdos 96% de aprovação da crítica e um sólido 85 no Metacritic, esse suspense de espionagem já figura entre os trampos mais redondos da carreira dele. O Amazon Prime Video trouxe Michael Fassbender no papel de um agente de contrainteligência focado em caçar a fonte do vazamento de um software ultrassecreto. A dor de cabeça começa quando todas as pistas apontam para a própria esposa dele, vivida pela Cate Blanchett, que também tem suas conexões obscuras na inteligência. Um jogo de gato e rato denso dentro da própria casa.

Uma Batalha Após a Outra

Aclamação pura e simples. Bater 95% tanto no Rotten Tomatoes quanto no Metacritic não é para qualquer um. Paul Thomas Anderson adaptou a obra “Vineland”, do escritor Thomas Pynchon, de um jeito que engoliu a crítica neste ano. Leonardo DiCaprio entrega tudo no papel de um ex-revolucionário que é forçado a sair da toca e retomar a ativa anos depois. O motivo dessa volta é que a filha dele (Chase Infiniti) vira o alvo de um militar calejado e amargurado, interpretado por Sean Penn. É um cinema maiúsculo que não faz muita concessão para mastigar a história.

The Furious

E já que o assunto é tensão, é impossível não descer um degrau na sutileza e abraçar a violência crua. Depois de uma espera que pareceu durar séculos, o evento de ação e suspense do ano — ou melhor, dos últimos anos — finalmente deu as caras. Esqueça as conspirações de gabinete dos espiões, aqui o papo é físico. Ostentando a rara e cobiçada marca de 100% no Rotten Tomatoes, a história pode ser resumida da forma mais visceral possível: é como se fosse “Busca Implacável”, só que infinitamente mais brutal e ensanguentado.

A trama acompanha o humilde operário Wang Wie, interpretado pelo excelente Xie Miao, que falha ao tentar impedir que sua filha seja sequestrada em plena luz do dia. Com a polícia afundada em inércia e corrupção, Wie não vê outra saída a não ser iniciar uma cruzada pessoal e raivosa de vingança para achá-la. Um clipe recente da produção que caiu na rede provou que as palavras não dão conta de explicar a loucura que é a coreografia desse filme. Se esse longa é o indicativo de para onde o gênero de ação com suspense está caminhando, a gente vai precisar de fôlego extra.